Sexta-Feira, 17 de Abril de 2026 - 22:53:46

Bolsonaro segue em UTI com pneumonia grave sob escolta policial no DF;entenda a doença

Ex-presidente Jair Bolsonaro trata pneumonia grave na UTI do Hospital DF Star, em Brasília, sob forte esquema de segurança e vigilância policial 24 horas

Crédito da Foto: Rogério Florentino

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão, permanece internado na UTI do Hospital DF Star, em Brasília, neste sábado (14), tratando uma broncopneumonia bacteriana bilateral. O paciente apresenta quadro hemodinâmico estável, respira com suporte não invasivo e está consciente, mas a equipe médica classifica a situação como extremamente grave e sem previsão de alta.

A infecção respiratória eleva o risco de falência pulmonar em um organismo que acumula complicações pós-cirúrgicas e internações recorrentes desde 2018. O episódio ocorre enquanto Bolsonaro cumpre sentença de 27 anos e três meses no regime fechado, reacendendo debates sobre a viabilidade de sua manutenção na prisão.

O ex-presidente foi socorrido na sexta-feira (13) após passar mal na “Papudinha”, sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Ele apresentou febre alta, queda de saturação, sudorese e vômitos durante a madrugada.

Avaliação médica e riscos

Bolsonaro recebe antibióticos na veia e fisioterapia respiratória. Segundo o cardiologista Leandro Echenique, nas primeiras oito horas de intervenção, o paciente “estabilizou”, encontra-se “consciente” e com o desconforto “amenizado”. O médico adverte, no entanto, que a infecção está “longe de estar em um quadro controlado”.

O diagnóstico aponta para uma pneumonia de provável origem aspirativa, ligada ao histórico de refluxos e problemas gástricos. O cirurgião Cláudio Birolini, que acompanha o caso, reforça que “o risco de um evento potencialmente mortal […] surge nessas circunstâncias” se não houver intervenção adequada.

Michelle Bolsonaro relatou nas redes sociais uma “leve melhora” na noite de sexta-feira. Ela afirmou que o marido conseguiu se alimentar, tomou banho e teve a febre reduzida, mas segue indisposto.

Fragilidade crônica e histórico

Médicos projetam uma internação de pelo menos sete dias. O declínio da saúde de Bolsonaro, que completará 71 anos na próxima semana, tem sido documentado com frequência. Echenique observa que o ex-presidente “vem deteriorando aos poucos” desde que sofreu uma facada em 2018.

Desde o atentado, Bolsonaro passou por sete cirurgias relacionadas ao ferimento e outras quatro intervenções. Entre os problemas recentes estão quadros graves de refluxo, episódios em que chegou a ficar sem respirar por alguns segundos, anemia e uma esofagite intensa diagnosticada em julho de 2025.

Internação sob custódia

O Supremo Tribunal Federal estabeleceu regras rígidas para a internação. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a presença de Michelle como acompanhante e visitas dos filhos, mas proibiu a entrada de celulares e dispositivos eletrônicos. Há vigilância policial 24 horas na porta do quarto e nas dependências do hospital.

A deterioração clínica alimenta uma disputa narrativa. Familiares e aliados políticos associam a fragilidade à pressão psicológica e às condições prisionais, pressionando por uma transferência para prisão domiciliar humanitária.

Os pedidos anteriores de mudança de regime, no entanto, foram negados pelo STF. A recusa baseou-se em laudos de uma junta médica da Polícia Federal, que concluiu que o ex-presidente possui condições clínicas para permanecer na unidade prisional, recebendo os devidos cuidados médicos quando necessário.

Broncopneumonia aspirativa

O que é

Broncopneumonia aspirativa é uma inflamação infecciosa dos pulmões causada pela inalação acidental de conteúdo estranho para as vias aéreas inferiores — saliva, secreções da boca e garganta, restos de alimentos, líquidos ou conteúdo gástrico regurgitado. Quando esse material chega aos brônquios e alvéolos, desencadeia primeiro uma reação inflamatória química e, em seguida, uma infecção bacteriana, geralmente por bactérias da própria flora oral ou intestinal.

O termo “bronco” indica o comprometimento dos brônquios; “pneumonia” indica a inflamação do parênquima pulmonar; “aspirativa” identifica o mecanismo de entrada do agente agressor.

Por que é diferente de uma pneumonia comum

Na pneumonia comum, o agente infeccioso chega ao pulmão pelas vias aéreas normalmente — por inalação de gotículas contaminadas, por exemplo. Na aspirativa, o problema começa por uma falha no mecanismo de proteção da via aérea: a deglutição, o reflexo de tosse ou o fechamento da glote não funcionam adequadamente, e o conteúdo que deveria ir para o esôfago vai para a traqueia e os pulmões.

Por que idosos são especialmente vulneráveis

É nesse ponto que o risco se concentra. Praticamente todos os fatores que aumentam o risco de aspiração se acumulam com o envelhecimento:

Disfagia — A dificuldade de deglutição afeta uma parcela significativa dos idosos, especialmente após AVC, com doença de Parkinson, demência avançada ou simplesmente pelo enfraquecimento muscular próprio da idade (sarcopenia). A pessoa aspira sem perceber, muitas vezes durante o sono (microaspirações noturnas).

Reflexo de tosse reduzido — O reflexo que normalmente expulsa corpos estranhos das vias aéreas fica menos eficiente com a idade. O idoso aspira e não tosse — o material permanece no pulmão.

Imunidade diminuída — O sistema imunológico envelhecido (imunossenescência) tem menos capacidade de conter a infecção pulmonar uma vez instalada, o que acelera a progressão da doença.

Uso de medicamentos sedativos — Benzodiazepínicos, opioides, antipsicóticos e outros fármacos muito utilizados em idosos reduzem ainda mais o nível de alerta e os reflexos protetores.

Higiene oral precária — A carga bacteriana na boca é um fator determinante na gravidade da pneumonia aspirativa. Idosos institucionalizados ou dependentes têm, em geral, pior higiene oral.

Acamamento e imobilidade — A posição horizontal prolongada favorece o refluxo gástrico e dificulta a drenagem das secreções pulmonares.

Como se manifesta e por que é grave

Os sintomas clássicos — febre, tosse produtiva, falta de ar, dor torácica — podem estar atenuados ou ausentes no idoso. É comum a apresentação ser inespecífica: confusão mental súbita, queda do estado geral, recusa alimentar ou simples piora funcional sem causa aparente. Isso atrasa o diagnóstico.

A gravidade é alta: a broncopneumonia aspirativa é uma das principais causas de morte em idosos com demência avançada e uma complicação frequente e letal em pacientes após AVC. A mortalidade intra-hospitalar pode ser elevada dependendo do estado funcional prévio, das bactérias envolvidas (algumas muito resistentes a antibióticos) e da velocidade do tratamento.

O que acontece quando a deglutição falha.

Fatores de risco que se acumulam no idoso — uma visão integrada do por que a vulnerabilidade é tão alta nessa faixa etária.

O que acontece dentro do pulmão após a aspiração, em três etapas.

 



Autor: Conexão MT
Data: 15/03/2026