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O cacique Raoni Metuktire, 94, uma das principais lideranças indígenas do Brasil e referência internacional na defesa dos povos originários, dos territórios e da floresta, enfrenta um câncer. Ele está em casa, em Peixoto de Azevedo, recebendo cuidados paliativos.
As informações foram divulgadas pelo Instituto Raoni. Nos últimos meses, o cacique foi submetido a sucessivas internações, exames e procedimentos médicos. O quadro se agravou e exigiu a transferência aérea para São Paulo, onde ele passou por uma cirurgia. Posteriormente, o cacique passou a necessitar de cuidados paliativos contínuos.
Os primeiros sinais de agravamento surgiram após Raoni começar a apresentar dores abdominais persistentes. Ele foi inicialmente internado no Hospital Regional de Peixoto de Azevedo, onde surgiu a primeira suspeita de um problema mais grave.
Na sequência, o cacique foi transferido para o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, para a realização de exames e investigação do quadro.
Durante a internação, exames de imagem identificaram uma alteração na região infra-hepática, considerada sugestiva de um processo expansivo intestinal ou hepático em estágio avançado.
Na ocasião, levando em consideração a idade de Raoni, seu estado geral de saúde e a existência de outras condições clínicas, a equipe médica optou por uma abordagem mais cautelosa, priorizando o controle dos sintomas abdominais e o tratamento das demais comorbidades. O caso passou a ser acompanhado para posterior reavaliação.
Após receber alta, Raoni retornou para Peixoto de Azevedo, onde passou a contar com uma estrutura inicial de atendimento domiciliar organizada pelo Instituto Raoni, com apoio do Fundo do Legado do Cacique Raoni, além de parceiros e amigos.
O acompanhamento era considerado necessário devido ao histórico de outros problemas de saúde. Entre eles estão a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), relacionada ao histórico de tabagismo, hérnia diafragmática decorrente de um antigo trauma torácico, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e bloqueio atrioventricular, condição que exigiu a implantação de um marcapasso.
O conjunto de condições clínicas, aliado à idade avançada, exigia acompanhamento permanente e aumentava os riscos relacionados a procedimentos e tratamentos mais agressivos.
Últimas internações
Em 13 de junho de 2026, já em sua residência em Peixoto de Azevedo, o quadro voltou a se agravar de maneira importante. Raoni começou a apresentar episódios de vômitos incontroláveis e precisou receber atendimento emergencial.
Após a avaliação inicial no serviço de saúde de Peixoto de Azevedo, ele foi novamente transferido para o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, no dia 14 de junho. Os exames realizados identificaram uma obstrução intestinal na altura do duodeno, provocada pelo tumor que impedia a passagem do conteúdo gástrico pelo sistema digestivo.
No dia 19 de junho, Raoni foi transferido de Sinop para São Paulo. A operação exigiu articulação entre equipes médicas, instituições públicas e diferentes órgãos. O transporte ocorreu em aeronave disponibilizada pelo Governo do Estado de Mato Grosso, com apoio e mobilização de instituições federais e estaduais.
No dia seguinte, ele foi submetido a uma gastroenteroanastomose por videolaparoscopia. O procedimento criou uma nova passagem no sistema digestivo para permitir que os alimentos contornassem a região que estava obstruída pela tumoração. A cirurgia não teve como objetivo retirar o câncer, mas restaurar o trânsito intestinal, uma das complicações mais graves provocadas pela doença, e permitir melhores condições de alimentação e conforto.
"Raoni utiliza marcapasso, apresenta insuficiência cardíaca e hipertensão arterial, além de doença pulmonar obstrutiva crônica e hérnia diafragmática traumática crônica. Diante desse conjunto de fatores, tratamentos com objetivo curativo, como uma cirurgia de maior porte, quimioterapia ou outras terapias oncológicas, representam riscos elevados de morte e não foram considerados adequados à sua condição naquele momento", informou o Instituto Raoni.
A partir dessa avaliação, o tratamento passou a ter como prioridade os cuidados paliativos. Trata-se de uma mudança no foco da assistência. O objetivo passa a ser controlar a dor e outros sintomas, reduzir desconfortos, preservar a autonomia possível, garantir alimentação e hidratação adequadas, prevenir complicações, oferecer acompanhamento médico e de enfermagem e proporcionar a melhor qualidade de vida possível.
Autor: Gazeta Digital
Data:
16/09/2026