Sexta-Feira, 09 de Outubro de 2026 - 16:53:20

Flávio e Lula focam em logística em plano para Mato Grosso

A política para o campo também incorpora medidas de adaptação às mudanças climáticas

Crédito da Foto: Montagem

Os programas de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o período de 2027 a 2030 colocam o agronegócio e a infraestrutura logística entre os temas com impacto direto sobre Mato Grosso, mas partem de abordagens diferentes para tratar a produção rural, o transporte de cargas e a preservação ambiental. A principal diferença textual em relação ao estado aparece na logística: o programa de Flávio cita a Ferrogrão e uma ligação ferroviária com o Sul do país.

O documento de Lula apresenta uma política nacional de infraestrutura, sem especificar, nos trechos analisados, uma obra exclusiva para o estado. No programa petista, o agronegócio é definido como fundamental para a balança comercial e para o Produto Interno Bruto (PIB). A proposta combina aumento da produtividade com sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica e agregação de valor às exportações. Prevê ampliar o Plano Safra, manter juros compatíveis com a atividade agropecuária e priorizar financiamentos para máquinas, equipamentos, irrigação e tecnologias. Também propõe ampliar fontes de financiamento por meio do mercado de capitais e dos títulos do agronegócio.

A política para o campo também incorpora medidas de adaptação às mudanças climáticas. O programa prevê um plano nacional de resiliência climática, com expansão da irrigação, conservação do solo, agricultura de precisão, plantio direto e sistemas de alerta meteorológico. A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), o seguro rural e mecanismos para cobertura de perdas provocadas por eventos climáticos extremos aparecem entre as medidas propostas.

O texto ainda dedica espaço à pecuária sustentável, com recuperação de pastagens degradadas, melhoria genética dos rebanhos, rastreabilidade e tecnologias para redução das emissões. Também prevê investimentos em pesquisa, biotecnologia, conectividade rural e fortalecimento da Embrapa. O programa de Flávio Bolsonaro também apresenta o agronegócio como setor estratégico, mas o coloca dentro do eixo denominado ‘Brasil que Cresce’, ao lado de infraestrutura, energia, tecnologia e inserção internacional.

O documento afirma que o agro é responsável pela segurança alimentar e defende maior previsibilidade para o produtor. Entre as medidas estão a ampliação do Seguro Rural, instrumentos de securitização e reorganização das dívidas, aumento da capacidade de armazenagem e ações diplomáticas para enfrentar eventuais sanções comerciais. O plano do candidato do PL também prevê retomada da produção nacional de fertilizantes, regularização fundiária, expansão da irrigação e simplificação de procedimentos para obtenção de licenças. A propriedade rural e a segurança jurídica aparecem como elementos centrais da política para o campo.

INVESTIMENTOS EM LOGÍSTICA

O programa de Flávio prevê R$ 900 bilhões em quatro anos para rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. O texto propõe a criação dos chamados Corredores Logísticos Inteligentes e afirma que o objetivo é reduzir o custo do transporte e melhorar o escoamento da produção do Centro-Oeste. No programa de Lula, a infraestrutura é tratada dentro de uma estratégia nacional de longo prazo, com investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. A proposta está associada à continuidade do Novo PAC e ao planejamento integrado da infraestrutura. O governo federal também apresentou em 2026 o Plano Nacional de Logística 2050, que estabelece corredores estratégicos e diretrizes de longo prazo para o transporte de cargas e passageiros. Para o agronegócio mato-grossense, portanto, os documentos apresentam instrumentos semelhantes em algumas áreas, como crédito, armazenagem, tecnologia, irrigação e infraestrutura, mas com projetos e mecanismos diferentes.

SEM ESPECIFICAR O PANTANAL

Nenhum dos documentos analisados apresenta um capítulo exclusivo dedicado ao Pantanal ou um pacote detalhado de obras e políticas exclusivamente voltado ao bioma. As propostas aparecem associadas a políticas ambientais, climáticas, de combate ao desmatamento, prevenção de incêndios, recuperação de áreas degradadas e desenvolvimento sustentável. No programa de Lula, a agenda ambiental está conectada à produção agropecuária, à conservação dos recursos naturais e à adaptação às mudanças climáticas.

O documento também trata de proteção da sociobiodiversidade, dos territórios pesqueiros e das comunidades das águas, além de políticas para recuperação de áreas degradadas e proteção dos recursos hídricos. No caso de Flávio, o programa afirma que todos os biomas devem ser protegidos e estabelece a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2029. O texto prevê uso de inteligência artificial, imagens de satélite e bases de dados em tempo real para combater desmatamento, queimadas, grilagem e ocupação ilegal de terras. Também propõe mecanismos de pagamento por serviços ambientais e trata a conservação como atividade econômica associada ao chamado ‘ativo verde’. Há, contudo, uma distinção importante entre os programas presidenciais e a legislação específica sobre o Pantanal.

Em 2025, foi sancionada a Lei nº 15.228, que estabelece diretrizes para conservação, proteção e recuperação da vegetação nativa do bioma. A legislação prevê, entre outras medidas, integração entre União, estados e municípios, monitoramento e fiscalização, combate ao desmatamento ilegal, regularização fundiária, combate à grilagem e incentivo a atividades agropecuárias compatíveis com a conservação do Pantanal.



Autor: Gazeta Digital
Data: 10/10/2026