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Fumar ou utilizar cigarros eletrônicos antes de uma cirurgia plástica pode comprometer a recuperação e aumentar o risco de complicações pós-operatórias. A nicotina interfere na circulação sanguínea, reduzindo o fluxo de sangue e oxigênio que chega aos tecidos, elementos fundamentais para a cicatrização.
Por isso, informar ao cirurgião sobre o uso desses produtos é uma etapa importante do planejamento do procedimento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o tabagismo aumenta o risco de complicações após cirurgias, incluindo infecções e dificuldades na cicatrização.
Em publicação de 2020, a entidade destacou que interromper o hábito pelo menos quatro semanas antes de uma operação está associado à redução desses riscos.
Embora as evidências específicas sobre o vape no contexto cirúrgico ainda sejam mais limitadas, os dispositivos eletrônicos não são isentos de riscos, especialmente quando contêm nicotina.
Segundo o cirurgião plástico Vidal Guerreiro, especialista em Reconstrução Mamária pelo Hospital Pérola Byington, mestre em Cirurgia Plástica pela Unifesp e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a preparação para uma cirurgia deve considerar não apenas os exames clínicos, mas também os hábitos do paciente.
“O cigarro e o vape são fatores que precisam ser discutidos durante a consulta pré-operatória para a própria segurança do paciente. A circulação adequada é fundamental para a recuperação dos tecidos. O paciente precisa informar o uso desses produtos para que possamos avaliar os riscos e orientar os cuidados necessários antes e depois da cirurgia”, explica.
Quando a circulação sanguínea é prejudicada, a cicatrização pode ocorrer de forma mais lenta, aumentando a possibilidade de abertura da ferida operatória e infecções. Em casos mais graves, a redução do fluxo sanguíneo pode contribuir para a necrose, que é a morte de parte do tecido.
Essas complicações podem comprometer o resultado da cirurgia e exigir intervenções adicionais. Apesar de ser frequentemente percebido como uma alternativa diferente do cigarro convencional, o vape pode liberar nicotina e outras substâncias potencialmente nocivas.
A ausência da fumaça gerada pela queima do tabaco não significa que o dispositivo seja inofensivo. Por isso, o paciente deve informar ao médico se utiliza cigarros eletrônicos, mesmo que ocasionalmente, além de esclarecer a frequência de uso e o tipo de produto consumido.
Para Vidal Guerreiro, a transparência durante a consulta é indispensável para uma avaliação adequada. “Não informar que fuma ou utiliza vape pode dificultar a identificação de fatores que interferem na segurança da cirurgia. Nosso papel é avaliar cada caso e orientar o paciente para reduzir riscos evitáveis. A preparação começa antes de entrar no centro cirúrgico e continua durante todo o período de recuperação”, ressalta.
Autor: Gazeta Digital
Data:
28/10/2026