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Mato Grosso reduziu em 10,9% o gasto total com segurança pública entre 2024 e 2025, passando de R$ 4,3 bilhões para R$ 3,9 bilhões. É a segunda maior redução real das despesas no período, atrás apenas do Rio Grande do Norte, que teve uma queda de 21,8%. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).
Segundo o levantamento, a contenção nas despesas atingiu áreas estratégicas da segurança pública, como a redução de 27,5% no policiamento, 7,5% na inteligência, além de 3,5% na defesa civil e 8,7% em demais subfunções. Além do comparativo entre os dois últimos anos, o levantamento avalia o quinquênio entre 2021 e 2025, período no qual Mato Grosso também se estabeleceu como o segundo estado brasileiro com a menor evolução nos gastos com segurança pública.
Em um comparativo apenas com a região Centro-Oeste, Mato Grosso evoluiu 3,4%, enquanto Goiás aumentou 25,9% e Mato Grosso do Sul 16,6%. Em âmbito nacional, os maiores saltos orçamentários foram registrados no Piauí (93,2%) e no Acre (89,9%). Para o presidente da Associação dos Familiares Vítimas de Violência de Mato Grosso, Wantuir Luiz Pereira, receber um dado como esse é estarrecedor.
“O Estado vai na contramão de outros estados e, principalmente, na contramão dos índices de violência. Temos que pensar de forma racional. Mato Grosso investiu em alguma área social? Investiu em educação e no esporte ou em outros tipos de áreas que podem contribuir contra a violência, em relação a emprego e renda? Provavelmente não, e deixa de investir no combate à criminalidade. Isso vai trazer um resultado muito prejudicial”, avalia o advogado.
Atuante dentro da associação há 26 anos, Wantuir Pereira conta que diariamente famílias procuram a organização com relatos sobre as dificuldades diante da criminalidade, que nos últimos anos tem sido dominada pelas facções criminosas. Ele destaca que são constantes os casos de falta de policiamento ostensivo. Situações em que a Polícia Militar é acionada, mas demora para atender ao chamado, pois não está presente nos bairros.
Além disso, também cita as dificuldades após o crime com a demora nas investigações. “Não precisamos apenas da Polícia Militar mais forte, mas também da Polícia Civil, com mais investigadores para dar celeridade às investigações. Precisamos da Politec, a perícia técnica, para fazer os exames e esclarecer os crimes. Precisa de investimento nos presídios para combater a entrada de celular e drogas. A diminuição dos investimentos vai sucatear tudo isso e afetar toda a segurança pública. O estado vai se desorganizando e o crime organizado vai se organizando”
Autor: Gazeta Digital
Data:
25/07/2026