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O deputado estadual Júlio Campos (União) atribuiu o fracasso de sua tentativa de reeleição na última eleição a uma combinação de sabotagem interna comandada pelo próprio partido, o desidratado palanque de Wellington Fagundes (PL) e a avassaladora polarização política nacional em Mato Grosso.
Com quase 80 anos e uma longa trajetória na política mato-grossense, o parlamentar obteve cerca de 18,5 mil votos, bem abaixo da meta de 40 mil projetada por sua equipe, alcançando apenas a primeira suplência de sua coligação. Em tom crítico, Júlio Campos direcionou suas principais acusações à conduta do ex-governador e senador eleito Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil.
Segundo o deputado, a direção da legenda atuou para enfraquecer e esvaziar a chapa proporcional, permitindo a debandada de quadros competitivos no último dia do prazo de filiação. Nomes como Allan Porto, Gilberto Figueiredo e Wagner Ramos deixaram o partido para disputar por outras legendas, encolhendo a chapa do União Brasil para apenas nove candidatos.
"Nós quatro [Dilmar, Sebastião, Júlio e Michelle Alencar] fizemos 120 mil votos, mas os demais tiveram votação insuficiente para garantir a terceira vaga", afirmou nesta quarta-feira (7). Além do esvaziamento, Júlio apontou ter sido o único candidato da legenda a sofrer veto total ao Fundo Eleitoral por decisão da executiva estadual, enquanto correligionários receberam repasses expressivos de até R$ 2,9 milhões. "A minha campanha foi extremamente humilde, financiada com recursos próprios e doações de familiares e amigos", disse.
O isolamento político do candidato também passou pela crise interna provocada pela inviabilização da candidatura ao governo de seu irmão, Jayme Campos (União). Por lealdade, Júlio alinhou-se ao palanque de Wellington Fagundes (PL), candidato que, segundo ele, realizou uma campanha sem entusiasmo no interior do estado.
"Fiquei sem palanque. Não podia participar do palanque do partido nem do outro lado. E o Wellington não fez campanha na rua, praticamente não existiu no interior", avaliou.
Por fim, o parlamentar ressaltou o impacto da polarização nacional, ressaltando que a "onda bolsonarista" e o desempenho do PT canalizaram votações atípicas em Mato Grosso. Ele afirma que candidatos alinhados à direita radical e à esquerda superaram amplamente as estimativas das pesquisas internas, estrangulando o espaço para candidaturas tradicionais de centro-direita.
Apesar do resultado e de acusar grupos adversários de financiarem concorrentes diretos para tirar seus votos, Júlio Campos afirmou que cumprirá o restante de seu mandato na Assembleia Legislativa com assiduidade e que continuará ativo na vida pública do estado.
Autor: Gazeta Digital
Data:
08/10/2026