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O candidato ao governo de Mato Grosso, Maurício Coelho (Mobiliza), afirmou que não pretende acabar totalmente com os incentivos fiscais, mas sim administrá-los de modo a favorecer novos empreendimentos, retirando o benefício somente das gigantes da indústria mato-grossense. Para ele, as cerca de 30 empresas que utilizam a renúncia fazem com que o estado deixe de arrecadar quase R$ 15 bilhões, declarando que “hoje tem poucos setores que são imprescindíveis manter”.
“Criaram um bicho-papão de que, se acabar [com a renúncia, o estado] vai quebrar. [...] Não falo em acabar com renúncia, falo em colocar valores razoáveis. [...] E a gente tem que explicar para quem está em casa que, quando você retorna isso para o Estado, não é só para o Estado arrecadar mais, não. É para poder tirar o ICMS da sua conta de luz. É para poder tirar o IPVA do seu carro. Porque, quando a gente começa a dar essas renúncias, de fato, para as pessoas, para as famílias, isso vira consumo”, afirmou o candidato em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, na última semana.
Ao se aprofundar nas propostas econômicas e tributárias, o candidato criticou a concessão de benefícios expressivos para grandes corporações do setor de agroindústria e frigoríficos, mencionando que o grupo ligado ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) recebeu cerca de R$ 50 milhões em incentivos para a sua empresa de carne. Para Coelho, essa prática serve apenas para “aumentar o lucro na última linha enquanto o Estado está sangrando, por exemplo, com o conflito dos aposentados”.
Como alternativa, ele propôs focar os incentivos no desenvolvimento do comércio em bairros periféricos e populares, além de prometer reduzir em 17% a tarifa de energia elétrica no estado, argumentando que “Mato Grosso tem a terceira conta de luz mais cara do país e não há nenhum lugar que se desenvolveu de forma perene, de forma consolidada com energia cara”.
Já ao abordar a área da segurança pública, Coelho criticou a ineficiência da gestão atual diante da expansão do crime organizado e da atuação das facções criminosas no estado. Ele defendeu a adoção de um modelo de gestão de projetos inspirado na experiência do Espírito Santo, focado no mapeamento e combate estratégico de crimes prioritários.
“Então nós vamos eleger os crimes prioritários. Para criar a gestão de projetos, é preciso ter um plano de ação com o responsável. Então esse responsável tem que, todo mês, sentar na cadeira e mostrar os resultados dele. Se ele não estiver executando bem, ele tem que ser trocado. E se ele estiver executando, mas não estiver dando resultado, tem que trocar o plano. O que não pode é deixar o mato-grossense sete anos com o crime acontecendo, com facção tomando conta”, explicou.
Aproveitando o momento para alfinetar a atual gestão, o candidato pontuou também que “não há no Brasil, no nível em que há aqui em Cuiabá”, que, segundo ele, seria uma “cidade plana” tomada pelo crime organizado. Categorizando isso como um “absurdo” no que diz respeito à segurança pública.
“A gente teve um governo arrogante, um governo que passou sete anos dizendo que estava bom. E, quando a pesquisa disse para ele que estava ruim, ele resolveu tratar isso com propaganda, comprando outdoor na rua para falar que era a tolerância zero. Assim não dá”, concluiu.
Autor: Gazeta Digital
Data:
27/09/2026