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Profissionais de saúde do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) protestaram contra demissões em massa e condições inadequadas de trabalho. Enfermeiros, técnicos e condutores compareceram à Assembleia Legislativa para manifestar indignação quanto a medidas que pegaram a categoria de surpresa: a não renovação de contratos de servidores, o impedimento da convocação de novos concursados e o fechamento de diversas bases de atendimento na Baixada Cuiabana. O ato ocorreu na manhã desta quarta-feira (25).
A manifestação foi motivada pela denúncia de uma servidora do próprio órgão. Segundo o relato, pelo menos 56 trabalhadores devem ser dispensados entre 31 de março e 10 de abril. A previsão é de que os cortes continuem até julho, atingindo a maior parte da equipe, visto que cerca de 90% do efetivo atual é composto por profissionais contratados.
A condutora Jordy Luz explicou que já existe um desfalque de cinco motoristas; com os novos cortes, serão 15 profissionais a menos que o quadro ideal. De acordo com ela, as bases com fechamento previsto são: Trevo do Lagarto, Bravo 5 (Metropolitana), Bravo 4, Gemal 2 (Batalhão) e Alfa 2 (bairro Ipase). Jordy relatou que a categoria foi surpreendida e demonstrou profunda preocupação com a continuidade do serviço:
"Recebemos a informação de que o Corpo de Bombeiros já está passando por formatura e atuará onde essas bases funcionam. Não queremos o fim dos bombeiros; sabemos que o trabalho é somatório e muitas vezes nos ajudamos nas ocorrências. Mas aqui no Samu temos profissionais com 10, 15 anos de casa. Queremos entender o porquê da diminuição e da falta de valorização. Trabalhamos duro, muitas vezes dobrando plantões, e queremos respostas: por que diminuir em vez de somar?"
O presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde de Mato Grosso (Sisma-MT), Carlos Mesquita, reforçou a gravidade da situação e cobrou providências imediatas.
“Ontem soubemos da dispensa de 56 servidores, entre enfermeiros, técnicos e condutores, além do fechamento de várias bases. A população ficará desassistida. Viemos à Assembleia pedir o apoio dos deputados para intermediação. Vale lembrar que, no ano passado, os bombeiros foram chamados apenas como apoio via termo de cooperação; agora, parece que estão sendo usados para substituição, o que configura o sucateamento do Samu.”
O clima entre os profissionais é de insegurança. A enfermeira Jenifer Mota afirmou que a notícia do fechamento das bases e das demissões gerou choque, alertando que a mudança prejudicará não apenas os trabalhadores, mas toda a sociedade.
A redução da cobertura operacional e o fechamento de bases estratégicas podem aumentar significativamente o tempo de resposta em ocorrências de risco de morte. A denúncia levanta dúvidas urgentes sobre a transparência das decisões governamentais, a manutenção da qualidade no atendimento e os riscos reais à assistência de urgência no estado.
Autor: Gazeta Digital
Data:
26/03/2026